Quatro integrantes de uma facção criminosa foram condenados pelo Tribunal do Júri após serem considerados responsáveis por ordenar a tentativa de assassinato de uma testemunha que presenciou um duplo homicídio ocorrido em 2019, em Porto Velho. O julgamento foi realizado na última segunda-feira (27) e durou cerca de 13 horas.
A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Marcus Alexandre de Oliveira Rodrigues, Marcele Tavares Mathias e Marcel Barboza Ferreira. Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO) e condenaram os quatro réus por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e pelo objetivo de assegurar a impunidade do duplo homicídio. Um dos acusados também foi condenado por porte ilegal de arma de fogo.
Durante o julgamento, ficou comprovado que os condenados integravam uma organização criminosa e que três deles já haviam sido responsabilizados pelo assassinato de Francisco Carlos Gomes e Vilmar Matos dos Santos, mortos por engano após serem confundidos com integrantes de uma facção rival.
As investigações apontaram que as vítimas não possuíam antecedentes criminais. Um trabalhava como pintor e o outro era mototaxista. Na ocasião, uma testemunha presenciou a execução e passou a ser alvo da facção.
Segundo o MPRO, mesmo presos, os criminosos determinaram a execução da testemunha para evitar que ela colaborasse com a Justiça. Em 21 de abril de 2019, dois homens ainda não identificados atentaram contra a vida da vítima, que foi atingida por quatro disparos de arma de fogo, mas sobreviveu.
Os três envolvidos no duplo homicídio já haviam sido condenados em júri popular realizado em 2024, recebendo penas de 45 anos, 45 anos e seis meses, e 31 anos de reclusão.
No julgamento desta semana, três réus receberam penas de 17 anos e 9 meses de prisão, enquanto o quarto foi condenado a 20 anos de reclusão.
Para o Ministério Público, a condenação representa uma resposta do sistema de Justiça ao avanço da violência provocada pela disputa entre facções criminosas em Porto Velho, conflito que já deixou dezenas de mortos, feridos e vítimas inocentes na capital.
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