
Se existisse um prontuário médico específico para puxa-saquismo político em estágio avançado, o deputado federal Coronel Chrisóstomo já teria vaga cativa, pulseirinha VIP e acesso direto ao andar reservado às “inspirações pessoais”.
O histórico é conhecido. Humilhado em público, chamado de “amigo de invasor de terras”, empurrado para longe do microfone na Avenida Paulista como figurante fora de cena, nada disso foi suficiente para abalar sua devoção ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje inelegível, mas ainda tratado como entidade mística por parte da tropa mais fiel.
Aliás, fidelidade é pouco. Já tivemos o episódio quase folclórico da cirurgia estética para ostentar uma cicatriz igual à do ídolo. Porque, convenhamos, ideias políticas passam… mas a cicatriz é eterna.
E eis que agora, quando Bolsonaro dá entrada no Hospital DF Star para mais um procedimento cirúrgico, aquele velho roteiro de internação, selfie no leito, cara de sofrimento e discurso de vitimização, surge nosso deputado rondoniense fazendo o quê? Exatamente a mesma coisa.
Mesmo hospital.
Mesmo andar.
Mesmo estilo de vídeo.
Mesmo enquadramento.
Faltou só a trilha sonora dramática e o roteiro assinado: “Baseado em fatos reais (do Instagram do mito)”.
https://www.instagram.com/stories/depcoronelchrisostomo/3796540451248184406?utm_source=ig_story_item_share&igsh=MXU2dnlsaXg3dmIzNw==
Não se trata mais de coincidência. É cosplay hospitalar ideológico. Uma espécie de internação solidária, onde o diagnóstico não vem do cardiologista, mas do espelho: “Doutor, eu quero ser ele.”
A pergunta que fica não é médica, é política (e talvez psiquiátrica):
Será que a idolatria chegou a um ponto em que o deputado acredita que, dividindo o mesmo andar, absorve parte do carisma por osmose?
Ou seria uma tentativa desesperada de provar lealdade até na maca, como quem diz: “Capitão, se o senhor cair, eu caio junto… mas de preferência no mesmo hospital.”
Enquanto isso, Rondônia segue aguardando projetos, debates sérios, articulação em Brasília e soluções reais para os problemas do estado. Mas, ao que tudo indica, parte do mandato foi internada junto, em observação, sedada pela idolatria e com alta indefinida.
Porque uma coisa é apoio político.
Outra é internação simbólica por devoção extrema.
E essa, meu caro leitor, não costuma ter alta fácil.
Na política brasileira, alguns não querem representar o povo, querem representar o ídolo. Nem que seja de pijama, soro no braço e celular na mão.
POR CARLOS CALDEIRA – DRT 0002105









