
A situação do Plano de Saúde Viva Vida, que atua em Porto Velho, se agravou ainda mais nos últimos dias. Após a publicação da primeira matéria denunciando a falta de pagamento à rede credenciada, dezenas de usuários procuraram o Procon, a Delegacia do Consumidor e o Ministério Público, relatando o que classificam como descaso, enrolação e ausência total de atendimento.
Segundo os relatos recebidos pela reportagem, consultas simples estão sendo negadas ou adiadas desde novembro do ano passado, mesmo com os usuários estando em dia com suas mensalidades. Em muitos casos, a promessa é sempre a mesma: “aguarde mais um pouco”, um “pouco” que já dura meses.
“Se fosse no SUS, eu já teria sido atendida”
O drama vivido pelos conveniados é revoltante. Uma das vítimas, que a reportagem encontrou na saída da delegacia do consumidor em Porto Velho, e que preferiu não se identificar, resumiu a situação de forma dura e simbólica:
“Se eu estivesse na fila do SUS para marcar essa consulta, eu já teria conseguido. Estou pagando plano de saúde para ficar sem atendimento.”
O depoimento escancara o absurdo: o serviço privado, pago mensalmente, hoje entrega menos do que o sistema público, tão criticado por muitos, mas que ao menos mantém regras claras de acesso.
Rede credenciada suspendeu atendimentos
Conforme já noticiado, clínicas, hospitais e laboratórios deixaram de atender os usuários do Viva Vida após a operadora parar de honrar os repasses financeiros. A própria empresa confirmou os atrasos e alegou dificuldades financeiras, afirmando que a situação seria normalizada “em breve”.
O problema é que esse “em breve” vem sendo repetido desde outubro, enquanto pacientes seguem sem consultas, exames e procedimentos básicos.
Procon e Ministério Público acionados
Diante do cenário, usuários passaram a buscar seus direitos:
- Reclamações formais no Procon
- Registros de ocorrência na Delegacia do Consumidor
Uma das denúncias encaminhadas ao Ministério Público de manifestação nº 20260113031 foi convertida no Procedimento nº 2026000101260289 e encaminhada à 11ª Promotoria de Justiça de Porto Velho.
Em alguns casos, os relatos apontam para a suspeita de crime de estelionato, já que o plano continua sendo cobrado normalmente, mesmo sem prestar o serviço contratado.
Quem paga a conta é o usuário
Enquanto a operadora fala em reestruturação, quem sofre é o cidadão comum:
idosos, pacientes crônicos, pessoas em tratamento contínuo e trabalhadores que contrataram um plano justamente para não depender do SUS, mas agora se veem sem alternativa.
A pergunta que fica é simples e direta:
Até quando o consumidor vai pagar por um serviço que não recebe?
A reportagem segue aberta para manifestação da empresa Plano de Saúde Viva Vida e das autoridades competentes.
“No Brasil de hoje, o cidadão paga plano de saúde privado e acaba recorrendo ao SUS. A diferença é que o SUS não promete “em breve”. Ele atende quando pode, já o plano cobra sempre.”









