Parece que o coronel resolveu entrar em campo, não para defender o Brasil, mas para protagonizar mais um capítulo da saga parlamentar brasileira: o deputado-linha-de-frente que resgata R$ 2,1 milhões em contracheques familiares e ainda vira destaque em vídeo nas redes sociais como se fosse informador secreto de “quem roubou os…”.
O espetáculo da gafe e do branding
Em seu perfil no Instagram (@depcoronelchrisostomo) sim, ele próprio, o deputado posta “perolas” visuais onde mistura discursos de toga, menções à Amazônia, cliques de militar da reserva e, de quebra, vídeos virais que nos lembram que “qualquer um pode virar influencer político” quando a câmera está ligada.
No caso mais recente, ele sai do expediente da Câmara para nos mostrar… bem, ainda não sei bem o que ele mostrou, mas mostrou-se. O que importa é a cena: chapéu de herói, verbo afiado, objetivo amplo (“Deus, Pátria, Família, Liberdade”) e, claro, presença na internet.
O paradoxo do “melhor deputado” e o gabinete-família
Simultaneamente, o mesmo deputado foi eleito “melhor deputado federal de Rondônia” em 2025 pelo prêmio Congresso em Foco.
E também revelou-se protagonista de uma trama que envolvia a nomeação de companheira, cunhada e concunhado no gabinete, com valores que chegam aos R$ 2,1 milhões pagos pelos cofres da Câmara.
Chama-se coerência política? Talvez. Chama-se “por que não-eu-também?”. Definitivamente chamado de espetáculo.
A estratégia da “justiça” com microfone
Adicione a isso os vídeos onde ele aparece tal qual justiceiro de terno ou chapéu militar, prometendo investigar aquele “roubo dos aposentados”, revelar “quem roubou os…” (vide reels recentes).
Ou seja: o deputado que, no plenário, votou a favor de medidas que facilitaram a execução do orçamento secreto, e agora surge nas redes sociais como paladino anticorrupção. Interessante coincidência.
O saldo para Rondônia
Enquanto isso, para Rondônia, o estado que ele representa, temos discursos, camisetas, vídeos virais, possíveis heróis e muitos cliques. Mas quantas obras concluídas? Quantas respostas claras? A retórica de “Deus, Pátria, Família, Liberdade” virou slogan de campanha ou motor real de transformação?
E o “gabinete-família”, desculpe a franqueza, soa como “família-gabinete”. Será que estamos cobertos por proteção ou apenas por privilégios?
Bem, o deputado que “sempre foi defensor da liberdade de expressão, agora promete processar todo mundo que publicarem matérias relacionados aos familiares em seu gabinete, então, certamente terei mais um processo, mas são ossos do oficio.
Pensamento do dia: Quando o herói veste farda, segura microfone e vira produção de Instagram, cuidado, pode estar filmando blockbuster político enquanto o orçamento vira pipoca.









