
Se tem uma coisa que nunca falta no teatro político brasileiro é ator que confunde o plenário com o palco da Praça é Nossa. Desta vez, quem rouba a cena é o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), aquele mesmo que transforma cada suspiro de Jair Bolsonaro em um manifesto emocional e cada vídeo nas redes em uma espécie de “minissérie patriótica de baixo orçamento”.
Pois bem: o parlamentar resolveu enviar um ofício ao presidente do STF pedindo a remoção de Bolsonaro da cadeia, alegando “condição de vulnerabilidade acentuada, típica da população idosa”. A justificativa? Uma queda sofrida pelo ex-presidente e o argumento de que, por ser idoso, ele deveria cumprir prisão em regime mais confortável.
Ora, ora, deputado… será que o senhor esqueceu que o Brasil está repleto de presos idosos, doentes, terminais, que jamais tiveram um décimo da atenção que o senhor dispensa ao seu ídolo? Que as cadeias brasileiras estão abarrotadas de gente esquecida, inclusive que juram de pés juntos, assim como Bolsonaro, que são inocentes, amontoados em celas superlotadas e sem direito sequer a um colchão decente?
Humanidade seletiva é fácil
O senhor fala em humanidade, deputado? Que tal usar a sua tão citada “otoridade parlamentar”, como o senhor mesmo gosta de pronunciar, para cobrar humanidade no Pronto Socorro João Paulo II, o hospital símbolo da precariedade de Rondônia, onde pacientes se amontoam nos corredores à espera de atendimento, em macas improvisadas e sem dignidade? Lá também há idosos vulneráveis, coronel. E eles não têm ofício ao Supremo nem aliados de farda ou de partido para pedir socorro.
A velha peça encenada
Transformar um acidente doméstico de Bolsonaro em argumento jurídico para soltura é mais um capítulo da telenovela “Meu Mártir Favorito”, produzida e estrelada por setores da extrema-direita que insistem em ignorar que o ex-presidente está preso por crimes graves contra a democracia, não por tropeçar no tapete.
O problema é que o público já cansou desse roteiro. A cada tentativa de reescrever a história, o deputado parece mais desesperado por curtidas do que por justiça. E o pior: faz isso em nome de um estado que enfrenta filas de cirurgias, hospitais sem insumos e um povo exausto de tanta encenação política.
STF já vacinou contra o drama
O Supremo, por sua vez, já deixou claro: “humanidade não é atalho jurídico para privilégio político”. A lei é a mesma para todos, inclusive para quem vestiu faixa e agora veste uniforme de visitante no presídio.
Pensamento do Dia
Enquanto uns choram a “vulnerabilidade” do mito, milhares de vulneráveis de verdade agonizam nos corredores dos hospitais e nas celas do Brasil, sem deputado, sem ofício e, principalmente, sem palco.









