
O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2026.
Surpresa? Nenhuma.
Na verdade, a pergunta correta é: alguém realmente acreditava que essa seleção tinha futebol para ser campeã do mundo?
E sejamos sinceros: o Brasil chegou à Copa de 2026 praticamente por milagre. A classificação foi sofrida, irregular e sustentada muito mais pela fragilidade dos adversários do que pela qualidade do futebol apresentado.
Passou da fase de grupos sem convencer ninguém.
Chegou às oitavas de final carregando mais dúvidas do que esperança.
E é preciso agradecer aos céus que o adversário tenha sido a Noruega.
Sim, a Noruega.
Uma seleção respeitável, mas que jamais figurou entre as grandes potências históricas do futebol mundial.
Mesmo assim, venceu o Brasil por 2 a 1.
E poderia ter feito mais.
Agora imagine se do outro lado estivesse a Argentina, ou a França, ou a Espanha ou até mesmo Cabo Verde, que nesta Copa demonstrou mais organização, disciplina tática e vontade de vencer do que a Seleção Brasileira, o vexame poderia ter sido muito maior, aliás, o placar de 2 a 1 acabou sendo até generoso.
O resultado apenas mascarou uma realidade desconfortável: o Brasil entrou em campo sem futebol, sem estratégia e sem qualquer sinal de que pudesse competir com as grandes seleções do planeta.
A derrota aconteceu porque tinha que acontecer, foi apenas o capítulo final de uma novela que todo mundo assistia sabendo qual seria o desfecho.
Durante anos, a Confederação Brasileira de Futebol vendeu a ilusão de que bastava trocar o técnico, fazer vídeos emocionantes nas redes sociais e convocar alguns jogadores badalados para que a Seleção voltasse a ser temida, não voltou, e nem chegou perto disso!
O comandante da equipe insistiu em fórmulas que não funcionavam, repetiu erros conhecidos e demonstrou uma teimosia que beirava a devoção religiosa.
Quando o mundo do futebol acelerou, o Brasil ficou parado no acostamento, olhando pelo retrovisor e lembrando dos tempos em que realmente era referência.
E aqui está uma verdade que muitos brasileiros se recusam a aceitar:
O Brasil não é mais o país do futebol!
Pelo menos não no futebol que decide Copa do Mundo, e essa história de repetir que somos os melhores do mundo parece mais um mantra para tentar convencer a nós mesmos do que uma constatação da realidade.
O último título mundial foi conquistado em 2002.
Repito: 2002.
Desde então, passaram-se mais de duas décadas de eliminações, fracassos, vexames e desculpas.
Enquanto isso, outros países evoluíram!
O Brasil ficou preso às próprias lembranças, vivemos de reprises!
Falamos de Romário, Bebeto, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e Taffarel como quem visita um museu.
E são justamente peças de museu: gigantes da história, mas pertencentes a uma época que não existe mais.
Quanto ao atual elenco, a realidade também é dura:
Vinícius Júnior foi praticamente uma ilha cercada por água por todos os lados; tentou, correu, brigou, buscou jogo…, mas futebol continua sendo um esporte coletivo, e sozinho ninguém ganha Copa do Mundo.
Já Endrick, tratado por parte da torcida como uma espécie de messias de chuteiras, infelizmente ainda não entregou o que prometeram.
Teve oportunidades, entrou em jogos importantes e desperdiçou chances que, em Copa do Mundo, costumam cobrar juros altíssimos.
Potencial ele tem, mas potencial não levanta taça, e o que levanta taça é bola na rede.
E isso faltou!
Também merece um capítulo à parte a insistência nacional em transformar Neymar numa solução para todos os problemas do futebol brasileiro.
A cada crise, alguém aparece com a mesma receita:
“Tem que chamar o Neymar.” Como se estivéssemos em 2014, como se o calendário tivesse parado, como se o futebol mundial não tivesse mudado completamente.
O Brasil parece aquele sujeito que terminou um relacionamento há dez anos, mas continua olhando as fotos antigas e dizendo que ainda vai dar certo.
Não vai!
E não porque Neymar não tenha sido um grande jogador.
Foi!
Mas a Seleção Brasileira precisa parar de procurar salvadores da pátria e começar a construir um projeto de futebol sério.
A verdade é simples e dolorosa: O Brasil não perdeu a Copa de 2026… O Brasil vem perdendo tempo há mais de vinte anos…
A eliminação apenas oficializou aquilo que já estava escancarado para quem quisesse enxergar: A camisa continua pesando, a história continua gigante, os cinco títulos continuam lá, mas camisa não corre, história não marca gol, e estrela bordada não ganha jogo.
Talvez a maior contribuição dessa eliminação seja justamente derrubar algumas fantasias.
O Brasil não é mais o melhor futebol do mundo.
Não é favorito por decreto.
Não assusta ninguém apenas pelo nome.
E quanto mais cedo aceitarmos isso, mais rápido poderemos voltar a competir de verdade.
Porque viver de 2002 em pleno 2026 é como tentar assistir à Copa pelo videocassete.
Pode até trazer nostalgia.
Mas não funciona mais.
PENSAMENTO DO DIA
“O futebol brasileiro virou aquele político que vive falando das obras que fez há vinte anos. O problema é que, enquanto ele conta o passado, os adversários estão construindo o futuro.”








