
A prisão do ex-vereador de Guajará-Mirim, Kerling Aparecido Moreira, vulgo Kerling Brito, suspeito de ser um dos mandantes da chacina que chocou a fronteira em 2024, joga luz sobre um passado cercado de denúncias, suspeitas e silêncio político.
Kerling e seu irmão Kerli Brito, foram presos durante operação “Nó Górdio” da polícia Civil, e apontados como suspeitos de participação no triplo homicídio ocorrido na Estrada do Palheta que teve como vítimas, Gabriele Melo Augusto Bramini, de 24 anos, Wellington Rodrigues Gutierrez, de 32 anos, e Raimundo Nonato Rodrigues Cardoso, de 42 anos, caso que repercutiu em todo o estado e região de fronteira entre o Brasil e a Bolívia.

Um terceiro suspeito já estava preso anteriormente. Já Victor Moreira de Souza, apontado como autor dos disparos, segue foragido.
Segundo informações apuradas, os dois deveriam passar por audiência de custódia ainda ontem, mas, por razões que até o momento não foram oficialmente esclarecidas, a audiência não teria acontecido. Horas depois, já no início da noite, ambos foram transferidos para uma penitenciária estadual.
E o clima dentro do sistema prisional já seria de tensão máxima.
Informações de bastidores apontam que os irmãos estariam pedindo proteção dentro da unidade prisional, temendo represálias de familiares das vítimas da chacina — entre eles, um parente que atualmente também cumpre pena no mesmo presídio.
A situação transforma o caso em uma verdadeira bomba política e criminal em Guajará-Mirim.
Durante o período em que ocupou cadeira na Câmara Municipal, Kerling Brito já acumulava denúncias, suspeitas e questionamentos envolvendo sua conduta. Mesmo assim, segundo relatos políticos da própria cidade, muitas das denúncias acabavam abafadas nos bastidores do parlamento municipal.
Agora, a mesma classe política que durante anos teria ignorado os alertas, volta a aparecer no entorno do caso. Informações obtidas pela reportagem apontam que antigos colegas de parlamento teriam procurado o presídio na tentativa de conversar com o ex-vereador após a prisão.
A pergunta que fica é inevitável:
Até onde vai a relação entre política, poder e silêncio em Guajará-Mirim?
Porque quando denúncias graves são ignoradas por conveniência política, o resultado quase sempre chega da pior forma possível.
E dessa vez, chegou com algemas, cela e medo de morrer dentro da prisão.
A Polícia Civil segue investigando o caso e não descarta novas prisões ou desdobramentos nos próximos dias.









