
A decisão da Câmara Municipal de Guajará-Mirim de afastar preventivamente a vereadora Cordélia Santana por 10 dias levanta mais do que questionamentos, escancara um problema antigo da política brasileira: a seletividade na hora de punir.
O motivo do afastamento? Um suposto envolvimento da parlamentar na disseminação de mensagens em grupo de WhatsApp, interpretadas como quebra de decoro parlamentar. A punição veio rápida, com direito a comissão de ética, votação e afastamento imediato.
Até aí, tudo dentro do rito.
O problema começa quando se olha para o outro lado da história.
O presidente da própria comissão de ética, o vereador Pinheiro, protagonista da decisão contra Cordélia, foi recentemente envolvido em uma confusão generalizada em Porto Velho — um episódio muito mais grave, com relatos de briga, agressões e, pior ainda, uma viagem que teria sido custeada com dinheiro público.
E o que aconteceu depois?
Nada.
Nenhuma abertura de processo, nenhuma sessão extraordinária, nenhum afastamento, nenhum pedido de explicação. Silêncio absoluto.
O PROBLEMA NÃO É PUNIR, É ESCOLHER QUEM PUNIR
O caso expõe uma distorção clássica: a régua da moralidade não é a mesma para todos.
- Para uns, uma mensagem em aplicativo vira motivo de afastamento imediato.
- Para outros, uma confusão pública com suspeita de uso de dinheiro público vira… esquecimento conveniente.
Se a Câmara realmente quer preservar o decoro, a pergunta é simples:
O decoro vale só para alguns?
CREDIBILIDADE EM XEQUE
Quando a comissão de ética age com seletividade, ela deixa de ser instrumento de justiça e passa a ser ferramenta política.
E isso tem consequências graves:
- Enfraquece a imagem do Legislativo
- Gera desconfiança na população
- Transforma processos disciplinares em arma de disputa interna
No fim, a mensagem que fica é perigosa: não importa o que você faz, importa de que lado você está.









